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Avaliação Neuropsicológica: Entre o Diagnóstico e o Cuidado com a Pessoa

A saúde mental nunca esteve tão em evidência. Termos técnicos circulam nas redes sociais, diagnósticos são discutidos em vídeos curtos e muitos pais chegam até mim já com hipóteses formuladas.

Informação é importante. Reduz estigmas. Amplia acesso.

Mas informação sem profundidade pode gerar confusão, especialmente quando falamos em avaliação neuropsicológica e diagnóstico em saúde mental.


Mulher segurando livros enquanto busca livros em livraria

Saúde mental na era dos diagnósticos rápidos


A popularização de temas como TDAH, TEA e superdotação trouxe avanços importantes. Hoje, mais pessoas buscam compreensão sobre seu funcionamento.

No entanto, nem toda dificuldade de atenção é TDAH.Nem toda timidez é TEA.Nem toda instabilidade emocional configura um transtorno.

Antes do diagnóstico, existe o funcionamento.

Se você quiser entender melhor como identificar esses critérios na prática clínica, explico com mais detalhes no artigo sobre [Laudo Neuropsicológico: o que é, quando pedir e como interpretar].


O que é avaliação neuropsicológica?


A avaliação neuropsicológica é um processo clínico estruturado que investiga como o indivíduo funciona cognitivamente e emocionalmente.

Eu analiso aspectos como:

  • Atenção

  • Memória

  • Linguagem

  • Raciocínio

  • Funções executivas

  • Regulação emocional

Mais do que confirmar ou descartar um diagnóstico, meu objetivo é compreender como aquela pessoa aprende, reage, se organiza e se desenvolve ao longo do tempo.

Se você tem dúvidas específicas sobre o processo em adultos, detalho no texto [Avaliação Neuropsicológica para Adultos: o que é e quando procurar].


Nem toda dificuldade é um transtorno


Os transtornos do neurodesenvolvimento possuem base científica sólida e critérios diagnósticos definidos no DSM-5-TR. Mas o diagnóstico exige análise criteriosa, contextual e responsável.

A Organização Mundial da Saúde reforça que saúde mental está ligada à funcionalidade e à capacidade de lidar com as demandas da vida.

Por isso, na minha prática, não busco rótulos rápidos.Busco compreensão profunda.

Se a dúvida envolve desenvolvimento infantil, explico melhor os critérios investigados no artigo [Entenda os Transtornos que Podem Ser Investigados na Avaliação Neuropsicológica Infantil].


Como conduzo a avaliação neuropsicológica na prática


A avaliação neuropsicológica que realizo envolve:

  • Instrumentos validados cientificamente com tabelas normativas brasileiras (de acordo com a idade e a escolaridade)

  • Entrevista clínica detalhada

  • Observação comportamental

  • Análise longitudinal

  • Diálogo com família, escola e outros profissionais que atendam o paciente (psicólogos, fonoaudiólogos, neurologistas, terapeutas ocupacionais etc)

Mas nenhum teste substitui a escuta qualificada.

A técnica é essencial.O vínculo também.


Diagnóstico: ferramenta, não identidade

Diagnósticos organizam estratégias, garantem direitos e orientam intervenções. Em muitos casos, são necessários para o pleno desenvolvimento.

Mas quando se tornam identidade, limitam aquilo que deveriam ampliar.

Diagnóstico é instrumento.Não é definição de valor pessoal.


Ciência e acolhimento caminham juntos


Acolher não é negar a ciência.É aplicar a ciência com responsabilidade humana.

O desenvolvimento não acontece em isolamento. Fatores biológicos, emocionais, ambientais e relacionais influenciam profundamente a expressão dos comportamentos.


Quando procurar uma avaliação neuropsicológica?

Eu recomendo buscar uma avaliação quando há:

  • Dificuldades persistentes de atenção, memória ou aprendizagem

  • Suspeita de transtornos do neurodesenvolvimento ( TDAH e TEA)

  • Oscilações emocionais que impactam funcionamento

  • Necessidade de clareza diagnóstica


  • Altas habilidades/superdotação

  • Dúvidas sobre desempenho acadêmico ou profissional

Muitas vezes, o que o indivíduo busca, não é apenas um diagnóstico.

É compreensão.


Meu compromisso clínico


Meu trabalho está a serviço do bem, não como ideal abstrato, mas como prática cotidiana: agir com ética, coerência e responsabilidade.

Não busco projeção.Busco excelência.

Se cada encontro clínico puder promover mais autonomia, mais consciência e maior equilíbrio, o impacto social acontece naturalmente.

A transformação coletiva começa no cuidado individual.

E é ali, pessoa a pessoa, que escolho permanecer.

 
 
 

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