Avaliação Neuropsicológica: Entre o Diagnóstico e o Cuidado com a Pessoa
- Fabiane Pinto - Neuropsicóloga

- há 10 horas
- 3 min de leitura
A saúde mental nunca esteve tão em evidência. Termos técnicos circulam nas redes sociais, diagnósticos são discutidos em vídeos curtos e muitos pais chegam até mim já com hipóteses formuladas.
Informação é importante. Reduz estigmas. Amplia acesso.
Mas informação sem profundidade pode gerar confusão, especialmente quando falamos em avaliação neuropsicológica e diagnóstico em saúde mental.

Saúde mental na era dos diagnósticos rápidos
A popularização de temas como TDAH, TEA e superdotação trouxe avanços importantes. Hoje, mais pessoas buscam compreensão sobre seu funcionamento.
No entanto, nem toda dificuldade de atenção é TDAH.Nem toda timidez é TEA.Nem toda instabilidade emocional configura um transtorno.
Antes do diagnóstico, existe o funcionamento.
Se você quiser entender melhor como identificar esses critérios na prática clínica, explico com mais detalhes no artigo sobre [Laudo Neuropsicológico: o que é, quando pedir e como interpretar].
O que é avaliação neuropsicológica?
A avaliação neuropsicológica é um processo clínico estruturado que investiga como o indivíduo funciona cognitivamente e emocionalmente.
Eu analiso aspectos como:
Atenção
Memória
Linguagem
Raciocínio
Funções executivas
Regulação emocional
Mais do que confirmar ou descartar um diagnóstico, meu objetivo é compreender como aquela pessoa aprende, reage, se organiza e se desenvolve ao longo do tempo.
Se você tem dúvidas específicas sobre o processo em adultos, detalho no texto [Avaliação Neuropsicológica para Adultos: o que é e quando procurar].
Nem toda dificuldade é um transtorno
Os transtornos do neurodesenvolvimento possuem base científica sólida e critérios diagnósticos definidos no DSM-5-TR. Mas o diagnóstico exige análise criteriosa, contextual e responsável.
A Organização Mundial da Saúde reforça que saúde mental está ligada à funcionalidade e à capacidade de lidar com as demandas da vida.
Por isso, na minha prática, não busco rótulos rápidos.Busco compreensão profunda.
Se a dúvida envolve desenvolvimento infantil, explico melhor os critérios investigados no artigo [Entenda os Transtornos que Podem Ser Investigados na Avaliação Neuropsicológica Infantil].
Como conduzo a avaliação neuropsicológica na prática
A avaliação neuropsicológica que realizo envolve:
Instrumentos validados cientificamente com tabelas normativas brasileiras (de acordo com a idade e a escolaridade)
Entrevista clínica detalhada
Observação comportamental
Análise longitudinal
Diálogo com família, escola e outros profissionais que atendam o paciente (psicólogos, fonoaudiólogos, neurologistas, terapeutas ocupacionais etc)
Mas nenhum teste substitui a escuta qualificada.
A técnica é essencial.O vínculo também.
Diagnóstico: ferramenta, não identidade
Diagnósticos organizam estratégias, garantem direitos e orientam intervenções. Em muitos casos, são necessários para o pleno desenvolvimento.
Mas quando se tornam identidade, limitam aquilo que deveriam ampliar.
Diagnóstico é instrumento.Não é definição de valor pessoal.
Ciência e acolhimento caminham juntos
Acolher não é negar a ciência.É aplicar a ciência com responsabilidade humana.
O desenvolvimento não acontece em isolamento. Fatores biológicos, emocionais, ambientais e relacionais influenciam profundamente a expressão dos comportamentos.
Quando procurar uma avaliação neuropsicológica?
Eu recomendo buscar uma avaliação quando há:
Dificuldades persistentes de atenção, memória ou aprendizagem
Suspeita de transtornos do neurodesenvolvimento ( TDAH e TEA)
Oscilações emocionais que impactam funcionamento
Necessidade de clareza diagnóstica
Altas habilidades/superdotação
Dúvidas sobre desempenho acadêmico ou profissional
Muitas vezes, o que o indivíduo busca, não é apenas um diagnóstico.
É compreensão.
Meu compromisso clínico
Meu trabalho está a serviço do bem, não como ideal abstrato, mas como prática cotidiana: agir com ética, coerência e responsabilidade.
Não busco projeção.Busco excelência.
Se cada encontro clínico puder promover mais autonomia, mais consciência e maior equilíbrio, o impacto social acontece naturalmente.
A transformação coletiva começa no cuidado individual.
E é ali, pessoa a pessoa, que escolho permanecer.



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