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Tripla Excepcionalidade: quando Altas Habilidades, TDAH e TEA coexistem

há 1 dia
4 min de leitura

Existe um tipo de intensidade que não cabe em um único rótulo. É a de pessoas que pensam rápido, às vezes além do próprio ritmo, que são altamente sensíveis e sentem com uma profundidade que escapa aos outros, e que captam detalhes que passam despercebidos pela maioria, tudo ao mesmo tempo, na mesma mente.

Quando esse funcionamento reúne duas ou mais características específicas, como Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), TDAH e TEA, falamos em dupla ou tripla excepcionalidade: um perfil raro, complexo e, por isso mesmo, um dos mais difíceis de reconhecer e compreender. Neste texto, eu explico o que é esse perfil, por que ele costuma passar despercebido e por que a avaliação neuropsicológica é tão decisiva aqui.


testes de avaliação neuropsicológica

O que é Tripla Excepcionalidade

Antes de tudo, vale alinhar o vocabulário. Na literatura, o termo consagrado é dupla excepcionalidade (em inglês, twice-exceptional, ou 2e). Ele descreve a coexistência de altas habilidades/superdotação com uma ou mais condições do neurodesenvolvimento, como TDAH ou TEA. Ou seja, o "dupla" não se limita a exatamente duas condições: ele já abrange duas ou mais.

Quando as três características aparecem juntas na mesma pessoa, Altas Habilidades/Superdotação, TDAH e TEA, muita gente usa o termo tripla excepcionalidade para nomear essa configuração. Não se trata de três diagnósticos simplesmente somados. Cada uma dessas características influencia como as outras duas se expressam, e é justamente essa sobreposição que torna o perfil tão singular, e tão frequentemente mal compreendido.


Por que a Tripla Excepcionalidade é tão difícil de identificar

Nesses casos, os traços não se somam: eles se sobrepõem e, muitas vezes, se mascaram entre si. O raciocínio rápido e a criatividade típicos das altas habilidades podem esconder a desatenção do TDAH. A rigidez e a intensidade sensorial do TEA podem ser confundidas com perfeccionismo, excentricidade ou "jeito diferente de ser". E a própria potencialidade pode fazer com que as dificuldades sejam minimizadas, tanto pela família quanto pela própria pessoa, que aprende cedo a compensar o que não funciona bem.

O resultado costuma ser um histórico de diagnósticos tardios, parciais ou equivocados. É comum que a pessoa tenha recebido, ao longo da vida, apenas um dos três diagnósticos, geralmente o mais "visível", enquanto os outros dois permaneceram ocultos por trás de um funcionamento aparentemente bem-sucedido.


Sinais e características da Tripla Excepcionalidade

Assim como na dupla excepcionalidade, os sinais aparecem em diferentes dimensões, mas com uma camada extra de complexidade. ABAIXO SEGUEM AS DIMENSÕES:

Cognitivas: raciocínio rápido e não linear, hiperfoco intenso em temas de interesse, dificuldade EM alternar  tarefas, ALÉM DE percepção aguçada de padrões e detalhes.

Emocionais: sensibilidade extrema, perfeccionismo, autocrítica elevada, sensação recorrente de “NÃO ME ENCAIXAR”  mesmo quando bem-sucedida.

Sociais: forte necessidade de coerência e regras claras, dificuldade em ambientes imprevisíveis ou muito estimulantes, alternância entre isolamento e busca intensa por conexão.

Esses sinais não seguem uma ordem fixa e podem se manifestar de formas muito diferentes de uma pessoa para outra, o que reforça a importância de uma avaliação individualizada, e não de checklists genéricos.


Tripla Excepcionalidade em adultos: um caminho de diagnósticos tardios

Grande parte dos adultos com Tripla Excepcionalidade cresceu ouvindo frases contraditórias: "é tão inteligente, mas não consegue se organizar", "podia ir tão longe, se não fosse tão disperso", "é brilhante, mas difícil de entender". Repetidas ao longo de anos, essas frases moldam uma autopercepção confusa..

Sem um diagnóstico que integre os três aspectos, é comum buscar ajuda várias vezes ao longo da vida e sair de cada avaliação com apenas uma parte da resposta. Reconhecer o perfil completo é o que permite, finalmente, entender a história inteira — e não apenas fragmentos dela.


Por que a avaliação neuropsicológica é essencial nesse perfil

A Tripla Excepcionalidade exige uma avaliação neuropsicológica ainda mais cuidadosa e individualizada do que a dupla excepcionalidade. Não existe um roteiro único: cada função atenção, cognição social, flexibilidade, regulação emocional, potencial cognitivo),precisa ser investigada separadamente, para entender onde termina um traço e começa outro, e como eles se influenciam mutuamente.

Mais do que confirmar ou descartar diagnósticos, esse processo  OPORTUNIZA compreender seu próprio funcionamento, e a transformar um histórico de "não me encaixo  em um mapa claro de potenciais e necessidades reais.


Dúvidas comuns sobre a Tripla Excepcionalidade


A Tripla Excepcionalidade é considerada algo raro?

De fato, trata-se de um funcionamento singular e substancialmente menos divulgado. Na vida adulta, essa falta de reconhecimento amplo acaba por intensificar a ocorrência de avaliações tardias ou conclusões parciais.


Existe diferença em relação à Dupla Excepcionalidade?

Há uma distinção importante. Enquanto a dupla abrange o potencial cognitivo elevado acompanhado de uma condição específica do neurodesenvolvimento (seja TEA ou TDAH), a modalidade tripla envolve o alinhamento simultâneo das três características na mesma mente, exigindo uma compreensão ainda mais abrangente do quadro.


Qual o caminho para reconhecer esse perfil em mim?Listas genéricas ou impressões pessoais não trazem respostas conclusivas. O diagnóstico preciso requer uma investigação neuropsicológica aprofundada, realizada por especialista capacitado mediante o uso de ferramentas direcionadas a analisar cada uma dessas três esferas.


Vamos conversar?

Se você se reconheceu nesse perfil, ou desconfia que sua história nunca coube em um único diagnóstico, eu posso ajudar. Realizo avaliação neuropsicológica de adultos aqui em Florianópolis, com o cuidado que um perfil tão singular pede.

Converse comigo e agende sua avaliação: entre em contato ou conheça os serviços.



Referências

  • Alves, R. J. R.; Nakano, T. C. C. A dupla-excepcionalidade: relações entre altas habilidades/superdotação com a síndrome de Asperger, TDAH e transtornos de aprendizagem. PUC-Campinas, 2015.

  • Webb, J. T. et al. Diagnóstico equivocado e duplo diagnóstico de crianças superdotadas e adultos. Belo Horizonte: Artesã, 2016.

 
 
 

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